A história não mente: o embaixador Roberto Campos comandou com competência e pulso firme o planejamento e a coordenação da administração pública no período 1964 – 1967.
Foi um dos idealizadores da correção monetária e o criador de um órgão supervisor do sistema financeiro nacional e de um fundo de segurança financeira para o trabalhador.
Na persuasiva e zombeteira lógica argumentista combatia veemente o expansivo monopólio estatal de petróleo. nos seus editoriais no jornal de maior circulação do país, na época.
Era o seu oponente editorial, como Master of Comparative Law da Georgetown University (Washington) com especialização em petróleo.
No prestigioso jornal, ao lado dos seus artigos contra o “Petrossauro”, estava o meu artigo, narrando os avanços tecnológicos da Petrobras para o país alcançar a autossuficiência em petróleo.
O avô-embaixador se orgulharia: o seu neto comanda o Banco que criou e é hoje um obstinado vigilante da independência da autoridade monetária, não se intimidando diante dos que querem ocultar as pessimistas previsões inflacionárias, para não prejudicarem as suas ambições no poder.
O Brasil vive um tiroteio público no simulacro e policialesco estado democrático de direito.
De um lado, está o atual guardião da moeda, Mestre em Economia pela Universidade da Califórnia (UCLA), de consagrado renome no mercado financeiro brasileiro pelos seus bem sucedidos18 anos de carreira em bancos privados.
Do lado oposto, temos um ex-atrás-das-grades, eleito mandatário, ávido em recuperar a popularidade nas ruas e nas urnas, por uma mentirosa queda dos juros.
Na sua conduta técnica, o guardião, defensor de padrões morais públicos, recusou-se a aderir à farsa de baixar os juros do patamar estável de 10.50%, contraditando a incerteza econômica
no belicoso ambiente externo e sem aguardar a definição fiscal em tramitação legislativa.
O falastrão Mandante, na embriaguez do poder, o acusou de que “não entende de povo” e o afrontou: “Não sei a quem que ele está servindo. Aos interesses do Brasil, não é”.
A postura de cumprir com rigor o seu dever institucional na fixação dos juros contra as condenáveis ingerências palacianas, é o corajoso exemplo de como com competência se deve influir para que se alcançar a verdade pública num Brasil Melhor, sob a proteção de Deus.

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